Escritores e poetas brasileiros
Euclides da Cunha (1866-1909) nasceu no Rio de Janeiro, estudou na Escola Militar e fez curso de Engenharia. Republicano convicto, de formação positivista, Euclides sempre mostrou grande interesse por ciências naturais e por filosofia. Viveu durante algum tempo em São Paulo e, em 1897, foi enviado como correspondente ao sertão da Bahia, pelo jornal O Estado de São Paulo, para cobrir a guerra de Canudos. Na condição de ex-militar, Euclides pôde informar com precisão os movimentos de guerra das três últimas semanas do conflito. Suas mensagens, transmitidas pelo telégrafo , permitiram que o Sul do país acompanhasse passo a passo a campanha, mobilizando e dividindo a opinião pública. Seis anos depois, o autor lançou Os Sertões, obra que narra e analisa os acontecimentos de Canudos à luz das teorias científicas da época.
Lima Barreto (1881-1992) nasceu no Rio de Janeiro. Embora filho de pais humildes e mulatos, sob a proteção do Visconde de Ouro Preto, conseguiu fazer o curso secundário no Colégio Pedro II e cursar Engenharia até o 3º ano. Contudo, com a doença mental do pai, abandonou os estudos para trabalhar e garantir o sustento da família.
Os desgostos domésticos, a revolta contra o preconceito de cor de que foi vítima, somadas à vida economicamente difícil de pequeno funcionário da Secretaria de Guerra e colaborador da imprensa, às constantes crises de depressão e ao alcoolismo, fizeram de Lima Barreto um crítico social severo, às vezes panfletário.
O escritor também foi um dos poucos em nossa literatura que lutaram contra o preconceito em nossa literatura que lutaram contra o preconceito racial e a discriminação social do negro e mulato. Essa abordagem está presente, por exemplo, nos romances Clara dos Anjos, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá e do quase autobiográfico Recordações do escrivão Isaías Caminha.
Lima Barreto foi escritor do seu tempo e de sua terra. Anotou, registrou, fixou e criticou asperamente quase todos os acontecimentos da República. Em sua obra, encontra-se os episódios da insurreição antiflorianista, a campanha contra a febre amarela, a política de valorização do café, o governo do Marechal Hermes da Fonseca, a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial, o advento do feminismo. Juntam-se a isso a paixão de Lima Barreto por sua cidade, o Rio de Janeiro, com seus subúrbios, sua gente pobre e seus dramas humildes, e a crítica a políticos da época, sarcasticamente retratados por sua mania de ostentação, pelo vazio intelectual e pela ganância.
Vinícius de Moraes foi um dos mais famosos compositores da música popular brasileira e um dos fundadores da bossa-nova, foi também poeta significativo da segunda fase do Modernismo.
O poeta nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1913, em uma família de intelectuais. Já em 1928, começou a fazer as primeiras composições musicais. Formou-se em Letras em 1929 e em Direto em 1933, ano em que publicou seu primeiro livro de poemas, O caminho para a distância. Tornou-se representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica. Na década de 40 ingressou na carreira diplomática e também no jornalismo, como cronista e crítico de cinema. Como diplomata, viveu durante muitos anos em Los Angeles, Paris e Montevidéu, com alguns intervalos no Brasil. Nesse período conheceu intelectuais e artistas de todo mundo. Nesse período conheceu intelectuais e artistas de todo o mundo.
Na década de 50, interessou-se por música de câmara e popular e começou a compor. Em 56, publicou a peça teatral Orfeu da Conceição, levada ao palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro com grande sucesso. A peça continha músicas do próprio Vinícius e de Tom Jobim. Algum tempo depois João Gilberto juntou-se à dupla, para dar origem ao movimento da bossa-nova. Ainda em 56, publicou o poema "O operário em construção". A partir daí Vinícius dedicou-se cada vez mais à vida de cantor e compositor, compondo e fazendo shows com vários parceiros, como Dorival Caymmi, Tom Jobim, Edu Lobo, Baden Powell, Toquinho, Chico Buarque e outros.
Aqueles que conviveram com Vinícius de Moraes lembram-se de duas paixões centrais do poeta: as mulheres e o uísque. Casou-se inúmeras vezes, sempre apaixonado pelo novo amor, pondo em prática os versos finais de um de seus sonetos: "Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure". E a cada show, consumia copos e copos de uísque. Depois de viver infinitamente, morreu de cirrose, aos 67 anos em 1980.
Jorge Amado nasceu em Pirangi, no Estado da Bahia, em 1912. Trabalhou na imprensa e estudou Direito. Em 1931, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se tornou conhecido com a publicação do romance O País do Carnaval. Alcançou notoriedade, entretanto, com dois romances publicados logo em seguida: Cacau e Suor.
Politicamente comprometido com as idéias socialistas participou do movimento do movimento popular da Aliança Nacional Libertadora, tendo sido preso em 1936. Libertado em 1937, morou em Buenos Aires, onde publicou a biografia de Prestes. De volta ao Brasil, em 1945, foi eleito deputado federal, mas teve cassado seu mandato político. Deixou novamente o país e residiu na França, na União Soviética e em países chamadas Democracias Populares, até que em 1952 retornou ao Brasil. Nessa ocasião já se tornara mundialmente conhecido. Em 1959, ingressou na Academia Brasileira de Letras, e seus livros estão traduzidos para mais de trinta línguas.
A maior parte de suas obras, principalmente as de sua fase inicial, apresentam preocupação político-social, denunciando, num tom seco, lírico e participante, a miséria e a opressão ao trabalhador rural e das classes populares.
Com o amadurecimento do autor, sua força poética voltou-se para os pobres, para a infância abandonada e delinqüente, para a miséria do negro, para o cais de sua terra natal, para a seca, o cangaço, a exploração do trabalhador rural e para o coronelismo latifundiário. Vista no conjunto, a obra de Jorge Amado apresenta altos e baixos, uma vez que revela certo descuido formal, abuso de clichês e lugares-comuns, lirismo às vezes piegas, o que a impede de atingir o nível que se esperaria do mais conhecido romancista brasileiro.
Jorge Amado iniciou sua carreira de escritor com obras de cunho regionalista e de denúncia social e passou por diferentes fases até chegar à atual, voltada para a crônica de costumes.
Terras do sem-fim, romance publicado em 1942, é, para muitos, a obra-prima de Jorge Amado. Seu cenário são os grandes latifúndios, próximos a Ilhéus, no auge da exploração do cacau.
O período de transição da economia canavieira nordestina na região da Paraíba e de Pernambuco encontrou sua maior expressão literária na ficção de José Lins do Rego.
José Lins do Rego (1901-1957) nasceu no engenho Corredor, no município de Pilar, na Paraíba. Órfão de mãe, foi criado no engenho por seu avô materno. Fez Direito em Recife, e data dessa época sua integração ao grupo modernista de Recife, do qual faziam parte José Américo de Almeida, Olívio Montenegro e Gilberto Freire. Formado, foi para Minas Gerais, como promotor público, e depois para Maceió, onde permaneceu por nove anos e escreveu seus primeiros livros, tendo convivido com Graciliano Ramos, Jorge de Lima e Raquel de Queiroz. Em 1935 passou a viver no Rio de Janeiro. Colaborou em jornais e exerceu cargos diplomáticos. Pouco antes de sua morte, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.
José Lins do Rego teve até os onze anos uma educação livre, num mundo dividido entre cuidados de sua tia Maria e as experiências com os primos e os moleques do engenho. O centro dessa mundo era a figura patriarca do avô.
Associando suas vivências de menino de engenho e de adolescentes à sua extraordinária capacidade para contar histórias, José Lins consegue, numa linguagem fluida, solta, livre, popular, captar a vida nordestina por dentro e registrá-la num momento em que se operavam no Nordeste transformações de ordem social e econômica, fruto da decadência do engenho, logo substituído pela usina moderna.
A obra de José Lins do Rego, segundo indicações dele próprio, se divide, pela temática, em: ciclo da cana-de-açúcar, com Menino de engenho, Doidinho, Banguê, Fogo Morto e Usina; ciclo do cangaço, do misticismo e da seca: Pedra Bonita e Os cangaceiros; obras independentes, com O moleque Ricardo, Pureza, Riacho doce (vinculados também aos

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