Encontro de escritores e seus sentimentos promissores

Ainda tem repercutido na imprensa estadual o II Encontro Catarinense de Escritores de Alfredo Wagner e Região, a seguir transcrevemos o artigo de Fidias Teles publicado no Jornal Evolução de S. Bento do Sul, de 20 de Agosto de 2010






Encontro de escritores e seus sentimentos promissores (I)
Fídias Teles
Presidente da Academia Parano-Catarinense de Letras Filósofo, cientista social, escritor e poeta

Foi num município cuja população é de uns dez mil habitantes que se realizou em 30 e 31 de julho deste ano um dos mais formosos e saudáveis encontros de escritores catarinenses. Ocorreu na minúscula, porém bela, limpa e organizada cidade de Alfredo Wagner/SC. É uma cidade com certa disciplina e com limites ao excesso disciplinar. As pessoas são cuidadosas, educadas e, ao mesmo tempo, nos bares e restaurantes à noite, se soltam. Cantam, riem alto, mexem com os corpos, bebem vinho e paqueram. Em entrevista à rádio local "Nascente do Vale", procurei uma interpretação antropológica para o fenómeno que ainda não havia sido explicado. É que, embora tenha uma pequena quantidade de descendentes indígenas, predominam as etnias resultantes dos alemães e dos italianos.
Então comecei a entender. O índio, amante radical da liberdade, junto com os escancarados desabafos do italiano vitalizam a cidade. Não vai aos extremos, porém, a conduta, porque o alemão pedagogicamente procura discipliná-los. No entanto, o alemão não consegue impor uma conduta extremamente sóbria porque o italiano pedagogicamente vai questionar e o índio desobedecer. Eis aí minha antropologia da cidade de Alfredo Wagner. Sua economia é a cebola, e no pique da produção não param a fim de poetizar. Mas o corpo executivo da prefeitura estava lá e colaborou logisticamente. O prefeito não foi ao evento por estar com sérios problemas de saúde, mas foram a secretária de Educação, Albertina Marques Rover; o secretário de Cultura, Edegar Neuhaus; o vice-prefeito, a presidente da Academia de Letras do Brasil para Alfredo Wagner, Bertolina Maffei; e o cordial, competente e simpático coordenador do evento, Mauro Demarchi.

E a festa cultural teve início, aberta pelos presidentes da Academia de Letras do Brasil (ALB), doutor Mário Carabajal, gaúcho vindo de Roraima - e o presidente da mesma Academia para Santa Catarina, o professor e escritor Miguel Simão, um gigante dos movimentos literários catarinenses. Veio um poeta de São Luiz do Maranhão - Mendes Dutra - diretamente para o evento, e chorou várias vezes de emoção, de alegria. Escritores de Chapecó, Blumenau, São João Batista, Garuva, Ipira, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Fraiburgo, Lages, Canelinha, Palhoça, Itapoá, Trjucas (inclusive seu prefeito) e de vários outros lugares lá estavam. O ciclo de palestras foi iniciado pelo autor desta coluna, sob o título "O Papel Existencial do Escritor Num Mundo Atordoado". O silêncio foi sacral e o carinho após o termino da palestra, emocionante.
O mundo não está ainda perdido. Voltei a me apaixonar pelo ser humano quando vi o presidente da ALB, doutor Mário Carabajal, abotoando o casaco de sua mãezinha, que tem 82 anos, é frágil de saúde, mas que ele leva de hotel em hotel, para a maioria dos seus encontros culturais. Também vi um jovem de 17 anos de idade - já escritor - ajustando a roupinha de sua mãe - uma bela escritora que não mediu sacrifícios e cujas deficiências físicas não a impediram de lá estar autografando seus livros: Inês Roani e seu filho, de Chapecó. Enquanto isto, uma jovem poeta de 24 anos tira seus sapatos e, percorrendo o salão, declama um comovente poema seu: "Protesto". É Taty Teles.
Emocionado fiquei eu quando o presidente da ALB diz ser meu leitor e fã e que não vê sentido em ele assinar para mim um diploma de "Amigo da Cultura Literária" - ideia do professor Miguel Simão. Mais emocionado fiquei quando Carabajal, às pressas, correu para confeccionar outro diploma para mim. Além de me nomear presidente de honra da ALB para Pernambuco, a ALB me fornece o diploma cujo título de reconhecimento é tão alto, que, engasgado de agradecimento, não consegui falar ao microfone. Sem raivas (que não cabem em meu coração), mas só para lembrar pedagogicamente, enquanto uma "universidade" há pouco tempo tentava sistematicamente me humilhar, a Academia de Letras do Brasil me fornece o diploma de Dr. Honoris Causa - PHI, Filósofo Imortal - em reconhecimento à minha produção univérsica filosófico/literária de repercussões internacionais (conforme o diploma).
E o desfile de estímulos recíprocos continuou por dois dias, abraços fraternos, trocas de livros e vendas mútuas a pequenos preços. Dois dias encharcados de belos sentimentos e de demonstrações de talentos que estão lindamente resistindo.
Para completar, meu repouso foi no alto de um monte, com uma natureza exuberante, e um tratamento maravilhoso por parte de Jorge Farias de Souza, proprietário da Pousada Ecológica Paraíso das Águas.
Temos ainda muito que contar. E faremos isto depois. Só não deixem de ir a esses eventos.

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