Encontro de escritores e seus sentimentos promissores (II)

Ainda o Encontro de Escritores
Fídias Teles
Presidente da Academia Parano-Catarinense de Letras Filósofo, cientista social, escritor e poeta

O dia 31 de julho de 2010 foi o último dia do Grande Encontro de Escritores em Alfredo Wagner/SC. Por sinal, o Brasil por onde transito sempre cobra de Santa Catarina mais estrelas nacionais, como também cobra do Paraná. Não reclamam do Rio Grande do Sul; reverenciam até. Se calam porque de lá brotaram Érico Veríssimo, Luís Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Elis Regina, Mário Quintana, Leonel Brizola, Getúlio Vargas, Adriana Calcanhoto, Ronaldinho Gaúcho, Gisele Bündchen, vários técnicos da Seleção de Futebol, etc. É claro que temos Cruz e Souza, Lindolf Bell, Deonísio da Silva, Silvio Bach e outros. Mas não é tão pouco!? E no Paraná, temos Paulo Leminski, Valfrido Piloto, Emiliano Perneta, Helena Kolody. Não será pouco!?
Se compararmos então os números com Pernambuco, Bahia, Rio, São Paulo, Minas, é de se ficar bem preocupado. Eu sempre defendo o sul pelo país afora no que se refere à sua qualidade de vida, mas confesso que, por vezes, titubeio para defender enfaticamente sem receio de ser contraditado quando se trata de desenvolvimento intelectual no sentido amplo.
Jantar de confraternização
O Encontro de Escritores em Alfredo Wagner mostrou que o sul tem grandes talentos, até supertalentos, e em boa quantidade. O que falta é mais estímulos, limitar um pouco o valor consumista, os valores utilitaristas e pragmatistas. Incentivar os sonhos e persistir à caça deles. No mínimo, se há um imenso tesouro no fim da estrada onírica, quase inalcançável, é preciso lembrar que no meio do caminho existem muitas pedras preciosas, novidades e belas surpresas também dando mais significado à vida. E, repito, tem gente tentando. O problema é que ela logo se desilude e desiste no meio do caminho. Aqueles que persistem podem até não ter suas luzes irradiando-se rápido por todo o país, mas sentem claramente que estão se realizando e que suas obras mais cedo ou mais tarde ecoarão pelo Brasil, pelo continente e até pelo mundo.

Em Alfredo Wagner, encontrei gente assim. Inclusive uma das mais brilhantes estrelas dos movimentos culturais brasileiros é um gaúcho que vive hoje em Roraima: Mário Carabajal -presidente da Academia de Letras do Brasil. E um dos mais dinâmicos ativadores culturais hoje do sul é o catarinense, o professor e escritor Miguel Simão. No Encontro foram diplomadas inúmeras personalidades culturais e literárias catarinenses. Para a ALB Regional, os empossados foram: Rogério Kremer, Suzana Margarete, Inês Roani, Ivone Daura, Douglas de Mello, Darci de Britto, Ilse Maria Gomes, Luís Fernando Schorh. Receberam o diploma "Amigo da Cultura Literária": Mauro Demarchi, Renato Rizzaro, Altair Wagner, Nivaldo Wesler, José Acácio Santana, Albertina Rover, Evalídio Kreusch, Edegar Neuhaus, Zenaide Wungartner, Euclides Riquetti, Ramiro Vieira Neto, Terezinha Manczak, Dorothy Steil, Mário Rosa, Célio Silva, Dalvina de Jesus Siqueira, Alzira Maria Silva Santos, Marco António da Silva, Luiz Bastiani, Márcia Bittencourt, Ilse Gomes, Maria Montibeller, Manoel Bittencourt, Waldir Gomes, Augusto de Abreu, Janice Pavan, Neusita Luz Churkin, William Brenuvida, Rogério Kremer, Fábio Egert, Flávio Munich, Leonita Petri Kuhn, Eriça Gonçalves, José Honório Marques, Maria do Carmo Fachinni, Luiz Arthur Montes Ribeiro, Tatiane P. Telles e este colunista. Um dos momentos que mais emocionou o público foi a entrega do Título "Doutor Honóris Causa em Filosofia Universal" - PM - pelo doutor Mário Carabajal, presidente da ALB, a este colunista escritor e representante de São Bento do Sul e região, e diploma similar ao professor Miguel João Simão.
O que vimos foi muito promissor, algo concreto fornecedor de grandes esperanças em direção a um brilho cada vez mais intenso e quantitativo da cultura literária catarinense. Para isto, é preciso não dar a menor importância aos invejosos. Ajudá-los, se quiserem ajuda, mas caso contrário, não perder tempo com eles e elas. Em Alfredo Wagner todos se confraternizavam alegres e respeitosamente. Tanto pessoas com mais de oitenta anos de idade como outras com menos de vinte e cinco anos de idade, receberam diplomas encorajadores, propiciando realizações humanas por vias do talento, da poética, do ensaio, da crónica, do conto, da música em geral.
A propósito de música, brilhou um trio de Alfredo Wagner - Coquinho com sua gaita e seus filhos - Zezinho de Palhoça e este colunista.
Sempre viajo pesquisando o Brasil e me deliciando, apesar da estarrecedora insegurança pública. Nos últimos anos estou viajando com muita intensidade e prazer pelo sul inteiro. De um ano para cá, chamaram-me a atenção: a Feira de Livro de Porto Alegre, os Movimentos Literários vindos da Grande Florianópolis, a colaboração dada aos Movimentos Culturais pela Fundação Cultural de São Bento do Sul e o Encontro dos dias 30 e 31 de julho de 2010 dos Escritores em Alfredo Wagner. Escrevemos aqui não só para condenar os erros, mas também para aplaudir, estimular e apoiar os acertos, no caso agora referentes à cultura geral.

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